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O relatório musical de 2025 da Luminate, lançado neste começo de ano, fornece uma perspectiva sobre uma percepção crescente na indústria nos últimos meses: o streaming continua a crescer, mas não da mesma forma. A fase de rápida expansão parece ter chegado ao fim, dando lugar a um mercado mais complexo, segmentado e orientado por valor, não apenas por volume.

Com mais de 80 páginas, o estudo agrega dados globais de consumo, comportamento do público, monetização, circulação de catálogo, crescimento de formatos físicos e a incorporação da lógica transmídia nas estratégias. A pesquisa abrange o período de 3 de janeiro de 2025 a 1º de janeiro de 2026, consolidando informações de diversos mercados, como Estados Unidos, Brasil, México, Japão, Alemanha e Índia.

Mais do que apenas apresentar rankings, o relatório destaca mudanças estruturais na maneira como a música é distribuída, descoberta e gera receita. A seguir, apresentamos 10 dados extraídos do relatório musical de 2025 da Luminate que ajudam a entender por que este foi um ano de transição para o setor musical global.

O streaming global cresce, mas a força está fora dos EUA

Plataformas de streaming (Crédito: Cottonbro Studio)

O streaming de áudio sob demanda cresceu 9,6% globalmente, alcançando 5,1 trilhões de streams em 2025. Fora dos Estados Unidos, o crescimento foi ainda mais acentuado: +11,6%, totalizando 3,7 trilhões de streams.

Esse dado confirma uma mudança significativa na dinâmica de crescimento do mercado. Embora os EUA continuem sendo o maior mercado individual, a expansão mais robusta vem de países emergentes, especialmente na América Latina e na Ásia, onde ainda há espaço para conversão de usuários e aumento de receita.

Os Estados Unidos entram oficialmente na fase de mercado maduro

O relatório sinaliza uma clara desaceleração no mercado americano. O crescimento do streaming doméstico foi limitado, e o consumo de músicas recentes diminuiu ao longo do ano.

Na prática, isso indica que o mercado dos EUA já não cresce pela base. A competição agora é focada em retenção, aumento do ticket médio, superfãs e estratégias que prolongam o ciclo de vida das músicas.

Nunca se lançou tanta música: 106 mil faixas por dia

Em 2025, uma média de 106 mil ISRCs foram submetidos diariamente às plataformas, um aumento de 7% em relação a 2024. O dado mais impressionante está na origem desse volume: 96,2% dos lançamentos vieram de distribuidores independentes ou do tipo DIY, enquanto apenas 3,8% passaram por grandes gravadoras.

Esse número ajuda a explicar a sensação difundida de saturação no ambiente digital. A barreira agora não é mais lançar música, mas sim ser descoberto.

A maioria absoluta das músicas não passa de 1.000 streams

Apesar do aumento no número de lançamentos, a concentração da atenção continua extrema. Segundo a Luminate, 88% das faixas disponíveis tiveram 1.000 streams ou menos ao longo do ano.

Esse dado revela o abismo entre oferta e consumo. A distribuição não é mais um obstáculo; visibilidade, contexto e estratégia são.

A “classe média” do streaming sustenta o mercado

Embora os grandes sucessos dominem a percepção pública, o relatório indica que a base do consumo global está em outro nível. Faixas com entre 1 milhão e 50 milhões de streams representam 49,4% de todo o consumo global, mesmo constituindo uma fração pequena do total de músicas disponíveis.

Essas faixas sustentam playlists, catálogos e a continuidade do consumo ao longo do ano.

Músicas novas perderam espaço para o catálogo

Crédito: Reprodução

Nos Estados Unidos, 43% dos streams vieram de músicas lançadas nos últimos cinco anos, um número ligeiramente inferior ao de 2024. O consumo de músicas com até 18 meses de lançamento caiu 1,6% em volume.

Esse movimento confirma que o catálogo voltou a ser um pilar central do negócio, com músicas antigas competindo em pé de igualdade com lançamentos recentes.

Rock, gospel e latino lideram o crescimento nos EUA

Em um mercado historicamente dominado por pop e R&B/hip-hop, o rock foi o gênero que mais ganhou participação, com um acréscimo de +0,30 ponto percentual. O gospel cresceu 18,5% em volume e o latino adicionou 6 bilhões de streams em apenas um ano.

Esses dados indicam uma diversificação real no consumo e a força de nichos com fãs altamente engajados.

O vinil cresce pelo 19º ano consecutivo

O relatório evidencia que o vinil se consolidou como um formato relevante. Em 2025, as vendas aumentaram 8,6%, totalizando 47,9 milhões de unidades nos EUA. Quatro em cada dez discos foram vendidos em lojas independentes, com um crescimento expressivo entre os millennials.

Mais do que nostalgia, o vinil aparece como um produto de valor e experiência.

O Brasil se consolida como motor do streaming premium

O Brasil adicionou 38,6 bilhões de novos streams premium em 2025, posicionando-se entre os quatro mercados que concentram quase metade do streaming pago global.

Outro dado relevante é que 75,2% do consumo no país é de artistas locais, uma das maiores taxas no mundo, sinalizando a força do mercado interno e seu potencial de exportação.

Brasil aparece entre os principais mercados premium identificados pela Luminate (Crédito: Divulgação)

A IA avança, mas enfrenta resistência do público

Apesar do aumento da música gerada por inteligência artificial, 44% dos ouvintes afirmam que teriam menos interesse em músicas criadas com IA, e 45% se sentem desconfortáveis com a criação de músicas originais por IA.

O contraste entre investimento, visibilidade e aceitação cultural evidencia que o debate sobre IA na música ainda está longe de ser resolvido.

Ao reunir esses dados, o relatório de música de 2025 da Luminate deixa evidente que a indústria entrou em uma fase menos expansiva e mais estratégica. O crescimento não desapareceu, mas mudou de direção e lógica: está mais relacionado a catálogo, preço, superfãs, circulação transmídia e mercados fora do eixo tradicional. Em um momento de excesso de oferta e atenção cada vez mais disputada, os números indicam que entender o contexto, comportamento e valor se tornou tão determinante quanto lançar músicas ou acumular streams.

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Fonte: Blog Mundo da Música

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