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Dois dos exemplos mais icônicos do repertório natalino são claramente millennials. “All I Want For Christmas Is You”, de Mariah Carey, e “Então é Natal”, interpretada por Simone, já ultrapassam 30 anos de existência. Lançadas em 1994 e 1995, respectivamente, essas canções continuam sendo trilhas sonoras quase indispensáveis em dezembro, cruzando gerações sem perder seu espaço.

Esses casos ajudam a entender por que o Natal é, sem dúvida, o período mais nostálgico do calendário musical. Um simples olhar para a lista de Natal da Billboard, que classifica semanalmente as músicas festivas mais ouvidas no mundo, revela que o topo de sua lista é dominado por faixas antigas, repetidas ano após ano, com poucas novidades.

No ranking, “All I Want For Christmas Is You” é a líder constante, seguida por clássicos como “Last Christmas”, do Wham!, “Rockin’ Around The Christmas Tree”, de Brenda Lee, e “Jingle Bell Rock”, de Bobby Helms. A lista é composta de dados de streaming, execuções em rádio e vendas, compilados pela Luminate e pela Mediabase, refletindo hábitos contemporâneos de consumo para um repertório em grande parte antigo.

Um repertório que atravessa décadas

O Top 10 natalino da Billboard é um reflexo claro dessa permanência. Das dez músicas mais populares, a maioria foi lançada nas décadas de 1940 a 1960. Estão presentes nomes como Nat “King” Cole, Andy Williams e Dean Martin, cujos sucessos comerciais durante o resto do ano não se comparam à força que adquirem em dezembro.

Mesmo músicas mais novas, como “Santa Tell Me”, de Ariana Grande, ou “Underneath The Tree”, de Kelly Clarkson, já ultrapassam uma década e representam exceções em um catálogo que resiste a inovações. A repetição é tão regular que essas canções acumulam dezenas de semanas nas paradas, retornando automaticamente a cada fim de ano.

Esse comportamento não se relaciona apenas ao gosto musical, mas a um ritual coletivo. O Natal evoca memórias afetivas, laços familiares e vivências da infância. A música serve como um vínculo emocional, capaz de transportar o ouvinte para momentos específicos de sua trajetória pessoal, o que intensifica o apego a essas melodias.

O boom criativo do século XX

A consolidação desse repertório também se deve a um contexto histórico particular. A maioria dos clássicos natalinos surgiu em meados do século XX, um período que se destacou pelo grande investimento da indústria musical em canções temáticas.

Faixas como “White Christmas”, imortalizada por Bing Crosby durante a Segunda Guerra Mundial, foram criadas com sentimentos coletivos de saudade, esperança e anseio por união. O sucesso comercial dessas músicas estimulou gravadoras, compositores e artistas a criar mais faixas nesse estilo.

Musicalmente, esse repertório desenvolveu uma linguagem própria, inspirada no pop tradicional e no jazz, com arranjos orquestrais, corais e elementos sonoros que logo passaram a ser imediatamente associados ao “espírito natalino”. A repetição constante nas rádios e, posteriormente, na televisão, ajudou a consolidar esse conjunto de canções como a trilha oficial das festividades.

Por que quase não surgem novos clássicos

Compor um novo clássico natalino é uma tarefa desafiadora. O mercado é altamente dominado por faixas já reconhecidas, que controlam as playlists, programações de rádio e o consumo em casa. Para que uma nova música se estabeleça, ela precisa não apenas de um bom início, mas também resistir ao teste do tempo e ser adotada por diferentes gerações.

“All I Want For Christmas Is You” é o exemplo mais bem-sucedido dessa tendência recente. A canção de Mariah Carey conseguiu dialogar com a estética tradicional do Natal, sem deixar de parecer um hit pop de sua época. Esse equilíbrio raro é o que explica por que, três décadas depois, ela continua não apenas relevante, mas dominando as paradas festivas mundiais.

Casos semelhantes são escassos, e a própria resposta do público indica que a busca por novidades durante o Natal é limitada. Em dezembro, a lógica de consumo muda: o que é familiar supera o novo.

O Natal brasileiro e a força de Simone

No Brasil, essa conexão com a tradição assume um símbolo muito específico. Há cerca de 30 anos, o Natal não é o mesmo sem Simone, e em algum canto do país, alguém estará ouvindo “Então é Natal / E o que você fez?”. A interpretação de Cláudio Rabello da canção de John Lennon e Yoko Ono fez do álbum “25 de Dezembro” um dos mais vendidos em toda a história da música nacional.

Esse sucesso ultrapassou formatos, línguas e gerações, mantendo-se vivo agora também nas plataformas de streaming. Assim como os clássicos internacionais, essa música deixou de pertencer a um período específico e passou a fazer parte do ritual coletivo de fim de ano.

As listas de Natal demonstram que, em meio a um mercado impulsionado por lançamentos semanais, poucos elementos são tão constantes quanto as canções natalinas. E, aparentemente, essa tradição deve persistir por muitos anos ainda.

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Fonte: Blog Mundo da Música

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