Beyoncé alcançou agora a marca de bilionária, conforme reportado pela Forbes. Esse feito surge em um 2025 marcado pela turnê “Cowboy Carter”, considerada pela revista como a mais bem-sucedida na história do gênero country, além de uma abordagem empresarial que coloca a artista no comando de uma parte significativa de sua cadeia de produção e receita.
O dado é impressionante devido ao seu simples contraste. A Forbes destaca que existem mais de 3 mil bilionários no mundo. Dentro desse vasto panorama, apenas cinco são músicos conforme os mesmos critérios, incluindo Beyoncé, Jay-Z, Taylor Swift, Rihanna e Bruce Springsteen. Em um setor que movimenta bilhões globalmente, essa lista restrita ajuda a elucidar como a maior parte do capital tende a permanecer nas mãos de empresas, catálogos e infraestruturas que giram em torno dos artistas, e não necessariamente nos próprios artistas individualmente.
A trajetória de Beyoncé também ajuda a esclarecer por que a “vida de superestrela” não se traduz automaticamente em um patrimônio de 10 dígitos. Embora a música seja uma das maiores indústrias do entretenimento, o caminho até alcançar um bilhão geralmente requer décadas de acúmulo, margens elevadas em eventos ao vivo e, principalmente, participação direta no “back-end”, a parte da receita que resta após cobrir os gastos.
Como a conta fecha: turnê, catálogo e controle
De acordo com a Forbes, a turnê “Cowboy Carter” gerou mais de US$ 400 milhões em vendas de ingressos, além de US$ 50 milhões em produtos durante os shows. A operação foi monumental: mais de 350 profissionais na equipe, 100 caminhões de equipamentos e oito aviões cargueiros 747 para o transporte entre as cidades, em um formato de mini-residência, com várias datas em nove estádios na América e Europa.
Contudo, o ponto crucial não é apenas a magnitude, mas sim a margem. A matéria explica que a Parkwood Entertainment, empresa fundada por Beyoncé em 2010, internalizou a gestão, produção e financiamento de projetos, assumindo custos para captar uma parcela maior do lucro que, normalmente, ficaria com terceiros. Dessa forma, uma turnê se torna um centro de resultados mais eficiente comparado ao modelo tradicional, onde uma boa parcela dos ganhos se dispersa entre diversos intermediários.
A artista ainda gera renda através de seu catálogo e parcerias comerciais. A reportagem menciona ações ao lado da Levi’s e uma apresentação de Natal da NFL (National Football League) vinculada a um jogo exibido pela Netflix, com estimativas de dezenas de milhões de dólares em jogo. Além disso, iniciativas como a linha de produtos para cabelo Cécred e o whisky SirDavis também fazem parte do pacote, enquanto a linha Ivy Park foi descontinuada em 2024.
Por que bilionários da música são tão raros em um setor tão vasto
A própria reportagem destaca um ponto que o mercado já reconhece, mas que nem sempre é quantificado: não há nada mais lucrativo na música do que lotar estádios repetidamente. Mesmo assim, isso não gera bilionários de forma automática. A razão é que, embora a indústria gere enormes quantias, a distribuição dos lucros não é proporcional entre criadores, gravadoras, distribuidores e operadores de infraestrutura.
Plataformas, conglomerados de mídia, redes de arenas, promotores e grandes gravadoras operam em escala e frequência, capturando receitas por meio de milhões de transações, mesmo quando um artista específico não está em atividade. Já os artistas, mesmo no auge, geralmente têm suas rendas dependentes de ciclos: álbuns, turnês, filmes e campanhas. Sem uma participação significativa no catálogo, na produção e nas estruturas que monetizam o uso das obras ao longo do tempo, o crescimento do patrimônio é mais lento.
Além disso, o texto evidencia que o sucesso comercial nem sempre está alinhado com o “barulho” cultural. A Forbes cita dados da Luminate indicando que, em 2025, as vendas equivalentes a um álbum da artista estavam atrás de nomes como Sabrina Carpenter, Bad Bunny e The Weeknd. Contudo, o impacto financeiro das turnês altera o panorama: a mesma reportagem aponta que, em muitos casos, as turnês podem representar a maior parte da renda anual de um artista.
O modelo Beyoncé e os limites econômicos da carreira artística
A trajetória recente de Beyoncé serve como um guia sobre como transformar atenção em ativos, garantindo controle sobre a execução. A artista criou “eventos” recorrentes, como o álbum surpresa “Beyoncé” (2013), o álbum visual “Lemonade” (2016) e o evento “Homecoming” (2018), que se tornou um documentário. A utilização do cinema como uma extensão do ao vivo, com distribuição direta via AMC (maior rede de cinemas nos EUA) para o filme da “Renaissance World Tour”, que, segundo a revista, gerou US$ 44 milhões globalmente, é outro exemplo dessa estratégia.
Esse tipo de engenharia financeira ajuda a explicar por que a lista de bilionários na música é tão restrita. Não basta ter uma enorme audiência; é necessário reproduzir esse sucesso ao longo de muitos anos, em escala global, com uma estrutura interna que sustente margens elevadas. Mesmo entre as superestrelas, poucas conseguem alinhar um catálogo valioso, turnês grandiosas, produção interna e contratos bem avaliados ao longo das décadas.
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Fonte: Blog Mundo da Música
