O Napster oficialmente encerrou suas atividades como um serviço de streaming de música. A mudança tornou-se evidente nos primeiros dias de janeiro, quando os usuários abriram o aplicativo e se depararam com uma mensagem direta: o catálogo foi extinto e a empresa agora se apresenta como uma plataforma de inteligência artificial focada na criação e experiência musical.
Essa decisão representa mais um capítulo significativo na história do Napster, que atravessa três décadas de indústria musical sempre associado à inovação. Desde o peer-to-peer que abalou as gravadoras no final dos anos 1990 até o streaming licenciado, a marca mais uma vez abandona seu produto central para explorar um novo território, agora sob intensa concorrência de empresas de tecnologia e IA.
A mudança não foi acompanhada de um período de adaptação. As playlists ficaram inacessíveis, o player foi desligado e a própria empresa passou a orientar os usuários a transferirem seus dados para plataformas concorrentes. O impacto foi imediato e gerou incertezas sobre o futuro do Napster no ecossistema musical.
De streaming a inteligência artificial
A mensagem que aparece para os usuários resume a nova direção do Napster:
“Nos tornamos uma plataforma de inteligência artificial para criar e vivenciar a música de novas formas. Isso significa que o catálogo de streaming e as playlists do aplicativo anterior não estão mais disponíveis.”
Na prática, isso indica que o Napster deixará de atuar como DSP e se posicionará como um hub de experiências baseadas em IA. O site oficial menciona a descoberta musical orientada por algoritmos, playlists interativas e agentes digitais que conseguem “entender o gosto musical” do usuário. Contudo, há escassas informações concretas sobre como será o consumo de música nesse novo formato.
O fim do streaming acontece menos de um ano após a aquisição do Napster pela Infinite Reality, anunciada em março de 2025 por US$ 207 milhões. Na época, falava-se de uma integração gradual entre música, experiências imersivas e tecnologia. O que se observou agora foi um corte abrupto.
O que o Napster passa a oferecer
O novo Napster é estruturado em torno de assistentes de IA especializados, conhecidos como Companions. Em vez de se concentrar exclusivamente em música, eles abordam áreas como produtividade, carreira, aprendizado, bem-estar, programação, finanças e criação de conteúdo.
A empresa também lançou o Napster View, um equipamento próprio que funciona como uma tela para interações em vídeo com esses assistentes, utilizando efeitos de presença em 3D. Há ainda versões somente em software, com uma taxa mensal, voltadas principalmente para usuários de Mac.
O tom do material oficial é ambicioso, mas o produto se configura mais como uma plataforma de assistentes digitais do que como um serviço musical. A música aparece como uma promessa futura, vinculada a experiências interativas e colaborativas, não como catálogo sob demanda.
Reações e descontentamento dos usuários
A interrupção repentina do streaming provocou reações negativas em comunidades online. Há relatos de usuários sendo cortados durante a reprodução e bibliotecas inteiras perdidas dentro do aplicativo. A empresa passou a recomendar ferramentas externas, como TuneMyMusic, para exportação de playlists.
Em fóruns como o Reddit, parte dos assinantes disse que já havia abandonado o Napster meses antes, citando a remoção de catálogos e problemas de pagamento aos artistas. Esse episódio fortaleceu a percepção de que o streaming já não era uma prioridade para a companhia.
Essas críticas se acumulam a questões ainda pendentes sobre disputas de royalties, incluindo dívidas com a Sony Music, e sobre a anunciada rodada de financiamento bilionária divulgada antes da compra do serviço, que nunca foi explicada publicamente.
Um novo “momento Napster”?
O discurso interno tenta caracterizar a mudança como mais uma virada histórica da empresa. O CTO Edo Segal declarou que o Napster está novamente em um ponto de inflexão semelhante ao do passado.
“Acreditamos que este é mais um momento Napster. A última vez que o Napster passou por algo assim foi quando realmente revolucionou toda a indústria de mídia.”
Ainda assim, o Napster continua testando quiosques de concierge com IA e experiências corporativas baseadas em modelos da Microsoft Azure OpenAI. Contudo, muitos desses produtos ainda estão em estágio inicial e longe de um desenvolvimento comercial robusto.
Agora, o Napster deixa de competir no streaming em um ambiente dominado por poucos gigantes e investe na IA como sua identidade central. Se essa nova fase terá um impacto real na música ou se permanecerá restrita ao universo de assistentes digitais, é uma questão cujas respostas só serão conhecidas em 2026.
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Fonte: Blog Mundo da Música
